As varizes são mais do que apenas um problema cosmético: podem resultar em problemas de saúde graves, como úlceras nas pernas, tromboses ou mesmo embolias pulmonares. A causa deste problema é geralmente uma fraqueza no tecido conjuntivo, que faz com que a parede da veia ceda e, por isso, o diâmetro da mesma aumente. Um processo que é acelerado pela gravidez ou pelo facto de se estar frequentemente em pé e sentado.

O aumento do diâmetro das veias prejudica o funcionamento das suas válvulas, que faz com que o sangue se acumule na perna, levando a um aumento da pressão arterial venosa. Esta insuficiência da valvular afeta com mais frequência a veia troncular, também chamada de veia safena magna ou veia rosa magna, que se abre na virilha.

Até agora, o tratamento tem sido baseado numa abordagem radical: destruição, por laser ou por terapia de ondas de rádio, ou remoção das veias através de cirurgia. “No Hospital da Ruhr-Universitaet-Bochum, na Alemanha, desenvolvemos uma alternativa aos métodos radicais com o procedimento de valvoplastia extraluminal, que adota uma abordagem de preservação de órgãos”, explica Achim Mumme, diretor de Cirurgia Vascular.

As válvulas venosas são reparadas através de uma pequena incisão na virilha. Uma bainha de poliuretano fino é colocada em volta da veia dilatada como uma segunda pele, atuando como uma espécie de meia de compressão interna que devolve a veia, que é fraca no tecido conjuntivo, ao seu diâmetro normal.

Num estudo realizado em vários centros, a equipa testou a eficácia deste método de tratamento. “Com uma taxa de sucesso de 95,24%, a reparação das veias com a nova bainha de poliuretano provou ser uma alternativa terapêutica eficaz aos métodos de tratamento radical”, descreve o supervisor do estudo Dominic Mühlberger.

“A grande vantagem da valvoplastia extraluminal é que a veia troncular é preservada, ao contrário dos métodos de terapia radical.”

Isso é sobretudo importante se ocorrerem problemas circulatórios numa fase posterior da vida, uma vez que as veias tronculares podem ser necessárias como enxerto vascular no caso de uma cirurgia cardiovascular. 

“O tratamento para as varizes com preservação das veias deve ser usada principalmente quando fatores de risco para o desenvolvimento de distúrbios circulatórios estão presentes, como tabagismo, hipertensão, diabetes ou distúrbios lipometabólicos”, conclui Mühlberger.