O AVC pode afetar diferentes áreas do cérebro e ter várias consequências. Uma delas é ao nível da fala. Aqui, a terapia da fala para quem tem dificuldades de comunicação depois de um AVC depende de muitos fatores, incluindo a área do cérebro afetada, a gravidade dos danos, a consciência da pessoa em relação à sua própria dificuldade e a capacidade de aprender e colocar em prática as estratégias para o fazer. Mas, defende Heather Clark, neurologia da Mayo Clinic, nos EUA, pode ajudar.

Os AVCs podem afetar a fala, que é a produção física de sons, e a linguagem, que é a representação mental das palavras, os seus significados e as regras de combinação das mesmas. As pessoas que sofreram um AVC podem ter dificuldade com a fala, com a linguagem ou com ambas.

A dificuldade de linguagem causada por um AVC é chamada de afasia e pode afetar a capacidade de a pessoa compreender o que ouve ou lê, encontrar as palavras certas, combiná-las adequadamente e formar frases completas. O que significa que a afasia pode ser uma barreira significativa para uma comunicação clara.

Trabalhar com um terapeuta da fala pode ajudar, garante a médica. “O objetivo da terapia da fala e linguagem para a afasia é melhorar a comunicação, e isso acontece ao restaurar a linguagem ao máximo possível, através de aprendizagem sobre como compensar a perda das habilidades linguísticas e de outros métodos de comunicação”.

Para isso, os especialistas socorrem-se de várias técnicas, com a companhia do especialistas ou através de outros recursos, como programas de computador e aplicações para smartphones, que podem ajudar a reaprender palavras e sons. 

O papel da família é também importante, como auxiliar na reconstrução das capacidades de comunicação, que pode ser um processo lento. “Mas com paciência e persistência, a maioria das pessoas pode fazer progressos significativos, mesmo que não voltem completamente ao nível de função que tinham antes do AVC. É importante procurar tratamento para a afasia, porque se não for tratada, as barreiras de comunicação podem provocar constrangimentos, problemas de relacionamento e, em alguns casos, depressão”, revela a especialista.