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Exame ao sangue mostra se bebés com febre têm infeção bacteriana ou viral

como identificar a febre nos bebés

Um teste que compara os níveis de duas moléculas no sangue é capaz de distinguir com precisão entre infecções bacterianas e virais em recém-nascidos com febre, mostra um pequeno estudo apresentado no Congresso Europeu de Medicina de Emergência.

A febre em bebés com menos de três meses de idade é considerada uma emergência médica, uma vez que, em bebés muito jovens com um sistema imunitário ainda em desenvolvimento, uma infeção pode rapidamente tornar-se fatal.

No entanto, nas urgências, a equipa precisa de avaliar os bebés com febre para distinguir as infeções bacterianas mais graves, que requerem antibióticos, das infeções virais, que geralmente se resolvem com monitorização e cuidados.

“Em bebés muito pequenos com febre, distinguir uma infeção bacteriana grave de uma doença viral autolimitada é um grande dilema diagnóstico. Os nossos biomarcadores padrão podem ajudar a indicar quando pode haver uma infeção bacteriana, mas também geram ‘falsos positivos’, o que leva a um tratamento excessivo. Isto pode significar punções lombares desnecessárias, antibióticos e internamentos hospitalares para bebés que, na verdade, têm apenas um vírus”, explica Tommaso Bellini, médico de urgência pediátrica no IRCCS Istituto Giannina Gaslini, em Génova, Itália.

Identificar de forma simples a causa da febre

A investigação envolveu 60 bebés que foram levados ao serviço de urgência pediátrica do IRCCS Istituto Giannina Gaslini, alguns dos quais avaliados e tratados por febre, enquanto outros avaliados e tratados por outras condições não infecciosas.

Bellini e os seus colegas recolheram amostras de sangue de todos os bebés e analisaram-nas com recurso a uma técnica avançada que permite aos investigadores estudar as características de células individuais.

Utilizaram esta técnica para quantificar os níveis de duas moléculas que sabiam aumentar em resposta a infeções. Uma delas, chamada CD64, encontra-se na superfície dos neutrófilos, um tipo de glóbulos brancos, e pensa-se que aumenta em resposta a infeções bacterianas; a outra, denominada CD169, encontra-se na superfície de outro tipo de glóbulos brancos, o monócito, e pensa-se que aumenta em resposta a infeções virais.

Os investigadores combinaram as medições destas duas moléculas numa proporção para cada bebé (uma proporção é uma forma simples de comparar a quantidade de uma coisa com a quantidade de outra) e verificaram que esta proporção podia distinguir com precisão entre bebés sem infeção (pontuação média da proporção de 1,10), bebés que posteriormente tiveram infeção viral confirmada (média de 0,33) e bebés com infeção bacteriana confirmada (média de 16,22).

O teste apresentou uma sensibilidade de 100%, o que significa que detetou corretamente todos os casos de infeção bacteriana, e uma especificidade de 96,6%, o que significa que a taxa de falsos positivos (em que o teste sugeriu que um bebé tinha uma infeção bacteriana quando, na realidade, não tinha) foi extremamente baixa.

“Estas duas moléculas marcadoras apresentam assinaturas opostas: durante uma infeção viral, uma está alta enquanto a outra está baixa, e durante uma infeção bacteriana, o inverso é verdadeiro. A combinação delas numa única proporção permitiu diferenciar infeções bacterianas de não bacterianas com uma precisão muito elevada na nossa coorte inicial de 60 bebés”, refere o especialista.

“Esta avaliação é atualmente realizada por citometria de fluxo, que requer equipamento especializado e pessoal treinado. Ainda não é um teste para utilização à beira da cama e não está amplamente disponível fora dos laboratórios especializados. Traduzi-lo para um formato rápido, de baixo custo e para utilização no local de prestação de cuidados é o nosso próximo objetivo de investigação”, acrescenta.

Maša Sorić chefe do departamento de urgência do Hospital Universitário Merkur, em Zagreb, na Croácia, não participou na investigação, mas considera que “para os pais, levar um bebé muito pequeno com febre às urgências pode ser um momento muito preocupante. Temos de tratar todos os casos como potencialmente graves até prova em contrário. Neste momento, isto pode significar exames invasivos, tratamento com antibióticos e um longo internamento hospitalar. Este é um estudo pequeno, mas os resultados são muito positivos”.

Se estes resultados puderem ser reforçados num estudo maior, isso poderá significar que teremos uma forma muito melhor de saber quais os bebés que provavelmente têm uma infecção bacteriana que necessita de antibióticos e quais os que provavelmente não necessitam. Isto poderia, em última análise, melhorar o tratamento e reduzir a necessidade de tratamentos desnecessários.

“Existe também um problema mais amplo relacionado com as bactérias que se estão a tornar resistentes aos antibióticos, em parte como resultado do uso excessivo destes tratamentos. Se pudermos garantir que só usamos antibióticos quando necessário, também poderemos reduzir o crescimento da resistência aos antibióticos, ajudando a manter a eficácia destes medicamentos vitais.”

Crédito imagem: Unsplash

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