Chamam bioimpressão 3D à técnica que permite a impressão de tecidos e, eventualmente, de órgãos, a partir das células. Uma tecnologia que pode abrir um novo mundo de possibilidades para a área médica, beneficiando diretamente quem precisa de um transplante de órgãos. Mas que ainda não é realidade.

Em vez de esperar por um doador ou ter o risco de rejeição, os órgãos impressos em 3D permitem aos doentes terem um órgão personalizado, fabricado especificamente para substituir os seus órgãos. No entanto, mesmo com o progresso desta técnica, faltam ainda avanços significativos capazes de permitir a produção de tecidos mais complexos.

De acordo com os investigadores da Universidade de Tecnologia e Design de Singapura (SUTD), da Universidade Tecnológica de Nanyang  e da Universidade da Ásia, as técnicas de cultura de tecidos exigem mais avanços, revelam, no trabalho intitulado “Imprima-me um órgão! Porque é que ainda não chegamos lá?”, publicado na revista Progress in Polymer Science.

No artigo, os especialistas forneceram também uma revisão aprofundada das melhorias recentes e analisaram as técnicas de bioimpressão, progressos no desenvolvimento de biotintas, implementação de novas estratégias de bioimpressão, dando ainda atenção ao papel da ciência dos polímeros e como conseguiu complementar estas técnicas de bioimpressão e dar criar esperança na área do transplante.

“Apesar de a bioimpressão 3D ainda estar nos seus estágios iniciais, o salto notável que foi dado nos últimos anos aponta para a eventual realidade de criação de órgãos funcionais em laboratório. No entanto, para levar mais longe as fronteiras da medicina, precisamos de superar os desafios técnicos na criação de tecidos, de bio-tintas específicas e na otimização do processo de maturação desses tecidos, explica Chua Chee Kai, principal autor do artigo e professor na SUTD.

“Isso acabará por ter um enorme impacto na vida dos doentes, muitos dos quais cujas vidas podem depender do futuro da bioimpressão 3D.”