Mais de quatro em cada dez adultos com idades entre 50 e 64 anos e sem doença cardíaca conhecida têm algum grau de aterosclerose, revela um novo estudo, liderado por investigadores da Universidade de Gotemburgo, na Suécia. A aterosclerose, ou a acumulação de depósitos de gordura nos vasos sanguíneos que fornecem sangue ao coração, é uma das principais causas de ataques cardíacos.

Uma forma muito usada de fazer a triagem das pessoas com risco de doença cardíaca, mas que ainda não apresentam sintomas, é a tomografia computadorizada cardíaca, que revela o grau de calcificação da artéria coronária.

Um exame que cria imagens transversais dos vasos que fornecem sangue ao músculo cardíaco, com o objetivo de medir a presença e a quantidade de placas com cálcio nas artérias coronárias. Com base nestes dados, os indivíduos recebem uma “pontuação” que vai de 0 a mais de 400, para estimar o seu risco ou extensão de doença arterial coronária.

Quanto maior a pontuação, maior o risco de ter um ataque cardíaco, AVC ou morrer de qualquer uma destas doenças nos próximos 10 anos. No entanto, a pontuação não é completamente eficaz, uma vez que pessoas com resultado zero podem também estar em risco de ataque cardíaco.

“Medir a quantidade de calcificação é importante, mas não fornece informações sobre aterosclerose não calcificada, que também aumenta o risco de ataque cardíaco”, refere o autor do estudo, Göran Bergström, professor e consultor sénior em fisiologia clínica no departamento de medicina molecular e clínica da Sahlgrenska Academy da Universidade de Gotemburgo.

Bergström e os colegas compararam os resultados da pontuação de calcificação com exames de angiografia por tomografia computadorizada coronária em mais de 25.000 homens e mulheres, com idades entre 50 e 64 anos, que não tinham histórico de ataque cardíaco anterior ou intervenção cardíaca.

Esta técnica radiológica fornece uma imagem muito detalhada do interior das artérias que levam o sangue ao coração e, graças ao seu uso, foi possível detetar algum grau de aterosclerose em mais de 42% dos participantes do estudo.

Ao todo, em 5,2% destas pessoas, a aterosclerose estreitou as artérias do coração em 50% ou mais e, em quase 2% dos adultos do estudo, o estreitamento foi tão grave que o fluxo sanguíneo obstruiu grandes porções do coração.

A avaliação permitiu ainda verificar que a aterosclerose começou, em média, 10 anos mais tarde nas mulheres do que nos homens e foi 1,8 vezes mais comum em pessoas entre os 60 e os 64 anos, em comparação com as de 50 a 54. 

Daqui se conclui que é importante saber que a aterosclerose coronária silenciosa é comum entre adultos de meia-idade e que aumenta acentuadamente com o sexo, a idade e os fatores de risco, segundo Bergström.

“Uma pontuação de calcificação alta significa que há uma grande probabilidade de obstrução das artérias coronárias. No entanto, mais importante, um resultado zero não impede os adultos de terem aterosclerose, sobretudo se têm muitos fatores de risco tradicionais de doença coronária”, explica.