E se fosse possível acabar com a acne graças a uma vacina? A ideia já esteve mais longe da realidade, graças a um estudo que demonstrou, pela primeira vez, resultados promissores.

Publicado no Journal of Investigative Dermatology, o artigo dá conta do trabalho realizado por uma equipa do Departamento de Dermatologia da Universidade da Califórnia e La Jolla, nos EUA, e pelo Departamento de Ciências Biomédicas e Engenharia da Universidade Central Nacional de Taiwan.

E mostra como os cientistas conseguiram criar anticorpos contra uma toxina produzida por bactérias da acne vulgar, capazes de reduzir a inflamação.

“Uma vez validado por um ensaio clínico de grande escala, o potencial impacto das nossas descobertas é enorme para as centenas de milhões de pessoas que sofrem de acne vulgar”, explica Chun-Ming Huang, o investigador principal do estudo

“As opções atuais de tratamento não são, muitas vezes, eficazes ou toleráveis”, acrescenta, salientando que “são extremamente necessárias novas terapias seguras e eficientes”.

Os muitos impactos da acne

Ainda que não seja uma doença fatal, a carga psicológica da acne é grande, sendo este um problema que frequentemente prejudica a autoestima dos indivíduos afetados, sobretudo durante a adolescência, um período de importante desenvolvimento físico, emocional e social.

As lesões e as cicatrizes de acne podem persistir na idade adulta e os medicamentos atuais geralmente não são suficientes e podem provocar efeitos secundários difíceis de tolerar, que vão desde secura e irritação da pele até depressão e pensamentos suicidas.

Uma vacina poderia mudar tudo isto. E esta seria a primeira a atacar bactérias já presentes na pele humana, em vez de invadir os agentes externos.

Trabalho prossegue mas com cautelas

O trabalho vai continuar, até porque, alertam os especialistas, há cuidados que têm de ser tidos em conta no uso da imunoterapia para tratar a acne, para evitar prejudicar o equilíbrio microbiano da barreira da pele.