Mesmo as mais pequenas quantidades de fumo passivo são perigosas

fumo passivo aumenta riscos

Se uma sala ou se o carro estiver cheio de fumo, mantenha-se longe até que este tenha desaparecido. Esta é a principal mensagem que resulta de uma investigação apresentada no EuroHeartCare 2019, um congresso científico da Sociedade Europeia de Cardiologia.

“Evite a exposição ao fumo passivo, independentemente de o fumador ainda estar na sala”, refere Byung Jin Kim, investigador da Universidade Sungkyunkwan, em Seul, Coreia do Sul.

“O nosso estudo realizado com não fumadores revela que o risco de hipertensão arterial é maior à medida que aumenta o tempo de fumo passivo, mas mesmo as mais pequenas quantidades são perigosas.”

Relação com a hipertensão

O fumo passivo, seja em casa ou no trabalho, foi associado a um aumento de 13% no risco de hipertensão, enquanto viver com um fumador por mais de 20 anos foi associado a um risco 15% maior.

A exposição ao tabagismo passivo durante dez anos ou mais encontra-se associado a um aumento de 17% no risco de hipertensão, seja no caso dos homens ou das mulheres.

Os participantes com hipertensão revelaram estarem significativamente mais propensos a serem expostos ao fumo passivo em casa ou no trabalho (27,9%) do que aqueles com pressão arterial normal (22,6%). A hipertensão foi significativamente mais comum em pessoas expostas ao fumo passivo (7,2%), quando comparando com a ausência de exposição (5,5%).

Especialistas pedem “proibições mais rígidas”

A hipertensão arterial é a principal causa global de morte prematura, responsável por quase dez milhões de mortes em 2015. Para quem sofre deste problema, deixar de fumar é um dos principais conselhos.

Investigações anteriores já tinham sugerido uma ligação entre o fumo passivo e a hipertensão em não fumadores, mas a maioria dos estudos era pequena, restrita a mulheres, e utilizou questionários autorreferidos, nos quais os entrevistados geralmente dizem não fumar, quando de facto o fazem.

Este é o primeiro grande trabalho a avaliar a associação entre fumo passivo e hipertensão em pessoas que nunca fumaram, confirmada pelos níveis urinários de cotinina, substancia presente no tabaco. Incluiu 131.739 não fumadores, um terço dos quais homens, com uma idade média de 35 anos.

“Os resultados sugerem que é necessário que nos mantenhamos completamente longe do fumo passivo, não apenas para reduzir a exposição, mas para proteger contra a hipertensão”, refere Byung Jin Kim.

“Embora tenham sido feitos esforços em todo o mundo para minimizar os perigos do fumo passivo, aumentando as zonas para não fumadores em locais públicos, o nosso estudo mostra que mais de um em cada cinco não fumadores ainda estão expostos ao fumo passivo.”

São, por isso, acrescenta, “necessárias proibições mais rígidas , Juntamente com mais ajuda para que os fumadores se possam libertar do hábito. Sabendo que os membros da família sofrem deve ser uma motivação extra para os fumadores”.

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