Um aditivo alimentar comum, permitido em vários países europeus, pode alterar significativamente a microbiota intestinal, revela um estudo que o confirmou em ratinhos de laboratório. O E-171 causou inflamação no cólon e alterações na expressão de proteínas no fígado dos animais, revela a investigação liderada por uma universidade do Massachusetts, nos EUA.

“Acho que os nossos resultados têm muitas implicações na indústria de alimentos e na saúde e nutrição humana”, afirma o principal autor, Hang Xiao, professor daquela instituição. “O estudo confirmou uma forte ligação entre nanopartículas de dióxido de titânio de origem alimentar e efeitos adversos na saúde.”

A microbiota intestinal, que se refere à comunidade diversa e complexa de microrganismos no intestino, desempenha um papel essencial na saúde humana. O desequilíbrio da microbiota intestinal tem sido associado a uma série de problemas de saúde, incluindo doenças inflamatórias intestinais, obesidade e doenças cardiovasculares.

A exposição humana a nanopartículas de dióxido de titânio tem sobretudo como origem um aditivo alimentar conhecido como E-171, que torna os produtos mais brancos e opacos e é encontrado em alimentos como sobremesas, doces, bebidas e pastilhas elásticas.

Partículas presentes no aditivo alimentar podem ser absorvidas

As partículas transmitidas pelos alimentos podem ter propriedades fisiológicas únicas que causam preocupação. “As partículas maiores não serão absorvidas facilmente, mas as menores podem entrar nos tecidos e acumular-se em algum lugar”, diz Xiao.

No seu estudo, o especialista e a sua equipa forneceram as referidas partículas a duas populações de ratos como parte da sua dieta diária.

Uma população recebeu uma dieta rica em gordura, semelhante à de muitos norte-americanos, dois terços dos quais são obesos ou com excesso de peso; o outro grupo de ratos foi alimentado com uma dieta pobre em gordura.

Os ratos alimentados com uma dieta rica em gordura acabaram por se tornar obesos, enquanto nos ratos com a outra dieta isso não aconteceu.

“Tanto nos ratos não obesos quanto nos obesos, a microbiota intestinal foi perturbada pelas partículas”, refere Xiao.