“O tabaco não é causa isolada para o cancro do pulmão”

pulmão

É um facto que o tabaco é o principal fator de risco para o cancro do pulmão – 85% dos casos deste tipo de tumor são devidos ao consumo tabágico. Mas não é o único. É por isso que o Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão (GECP) alerta para outros fatores, numa tentativa de desmistificar a ideia de que só quem fuma tem cancro do pulmão.

“Somos muitas vezes confrontados com a frustração de doentes que nunca fumaram e desenvolvem cancro do pulmão”, refere o grupo de trabalho do GECP dedicado a esta campanha.

Os especialistas refere que “cerca de 85% dos casos de cancro do pulmão poderiam ser evitados com a cessação dos hábitos tabágicos, no entanto, existem outras causas para o desenvolvimento de células cancerígenas nos pulmões”.

A poluição ambiental, seja através da exposição a fumos dos escapes de automóveis/fábricas ou da exposição a fibras de amianto, muito utilizadas na construção civil durante muitos anos; os fatores genéticos/hereditários; e, claro, uma prática de ação voluntária ou involuntária de fumador passivo, são aspetos que podem levar ao desenvolvimento de cancro do pulmão.

“Devemos incentivar a cessação tabágica em todas as oportunidades de diálogo com os nossos doentes, tendo aqui a Medicina Geral e Familiar um papel de destaque nas consultas regulares com os seus utentes”, considera o GECP. No entanto, “é importante reforçar que o cancro do pulmão é mais do que fumar”, olhando para a saúde do pulmão como um todo e procurando evitar estas outras causas que, a longo prazo, podem ter consequências indesejadas.

Os pneumologistas envolvidos nesta campanha esclarecem ainda que este tipo de cancro é, por norma, “silencioso”, isto é, “pode crescer durante muito tempo sem dar qualquer sintoma ou sinal, o que dificulta o seu diagnóstico nas fases iniciais”, fator agravado no caso de não fumadores, em que as suspeitas ficam diminuídas.

“Não obstante, podemos enumerar sintomas de alarme que devem motivar uma ida ao médico o mais rapidamente possível: tosse irritativa e persistente e/ou com sangue; dor torácica, no ombro e braço; dificuldade respiratória ou em engolir; dor óssea; fadiga/perda de apetite por períodos prolongados, edema da face e pescoço e pieira no peito”.

O grupo acredita ser necessário “orientar os esforços no combate à doença na direção certa”, sendo ela a prevenção, com a diminuição da exposição aos fatores de risco mencionados (tabaco e além do tabaco) e o diagnóstico precoce (através do rastreio e sensibilização da população).

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