Vaneska Spinelli Reuters, Endocrinologista do Hospital Cruz Vermelha, partilha alguns conselhos sobre a alimentação em tempo de aulas.

a melhor alimentação

Vaneska Spinelli Reuters, Endocrinologista do Hospital Cruz Vermelha

“A frequência da obesidade na infância e adolescência tem estado a aumentar em Portugal nos últimos anos. Estudos recentes mostram que 15% das crianças entre os quatro e os sete anos já são consideradas obesas e que, na faixa de 10 anos de idade, a obesidade atinge 17%.

Entre 10 e 15 anos, a frequência cai para 5%, contudo Portugal é o 5o.º país com maior taxa de obesidade na adolescência no continente europeu.

Os principais fatores apontados como contributivos para tal facto é a falta de atividade física e alimentação desadequada. Os alimentos processados e os fast food são cada vez mais consumidos pelas crianças e jovens; o consumo de vegetais é insuficiente e o de fruta é positivo, mas caiu muito nos últimos 12 anos. 

Com o retorno às aulas devemos estar atentos aos lanches escolares, uma vez que alimentação inadequada tem estreita relação com excesso de peso.

As cantinas escolares ainda oferecem opções muito calóricas e pouco saudáveis como salgadinhos, frituras, bolos, refrigerantes, e sumos industrializados. Por isso, o ideal é a criança/jovem levar de casa a sua alimentação, pois diariamente devem ser consumidos frutas, verduras, frutos secos e cereais integrais nos intervalos de aula da manhã e da tarde.

No horário do almoço, o ideal é realizar a refeição oferecida pela escola, que contenha, de forma equilibrada, os grupos alimentares essenciais e evitar as saídas com os colegas para comer fast food na rua, como hambúrgueres, cachorros-quentes, etc.

As sandes podem ser uma alternativa ao almoço, em alguns casos excepcionais, mas devem ser feitas com pão integral ou de cereais, carne de frango ou vaca grelhadas, e vegetais diversos como alface, rúcula, agrião, tomate, beringela, cenoura.

Devem ser temperadas com azeite e vinagre ou mostrada.  Por sua vez, a maionese e o ketchup devem ser evitados. Podem ingerir frutas ou gelatinas naturais para sobremesa ou acompanhar a refeição com sumo de fruta natural sem adição de açúcar. 

Alimentos muito ricos em hidratos de carbono, como os bolos, refrigerantes, sumos industrializados, doces, rebuçados, além de causarem obesidade, podem gerar agitação nas crianças e diminuir o grau de atenção às aulas, o que pode levar a diminuição do rendimento escolar.

A ingestão adequada de micronutrientes, como as vitaminas, proteínas e minerais são fundamentais para o bem estar físico e mental, e carências nutricionais relacionadas com a má qualidade alimentar podem também interferir com o rendimento escolar.

Por outro lado, a omissão de refeições intermediárias ao almoço, como o lanche da manhã e da tarde, reduzem a oferta de energia para o corpo e atrapalham a capacidade de concentração e aprendizagem. 

A atividade física estimula cognição, diminuiu a ansiedade e melhora o grau de atenção e ajuda a combater a obesidade. A prática de atividade física dentro e fora da escola deve ser sempre estimulada e aliada a uma alimentação adequada.”