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Teste permite identificar risco de burnout através da saliva

Burnout afeta 13% dos portugueses

E se fosse possível identificar o risco de burnout, um problema que, em 2016, afetava 13% dos portugueses ativos, de forma simples, tornando também mais fácil a prevenção? É isso que propõe um grupo de investigadores, que afirma ter criado um teste de saliva capaz de o fazer.

Investigadores da MedUni de Viena e do Centro de Saúde e Prevenção da Agência de Seguros de Saúde austríaca socorrem-se do cortisol para o fazer, uma hormona anti-stress, produzida predominantemente no início da manhã, ao acordar.

Nas pessoas saudáveis, o nível de cortisol cai ao longo do dia, até que praticamente não haja cortisol mensurável à noite. Um quadro que muda quando as pessoas estão sujeitas a um stress constante. Para estas, o corpo mantém o nível de cortisol dentro do intervalo mensurável por muito mais tempo, para lidar com o stress prevalente. E se o stress se tornar “crónico”, os níveis desta hormona permanecem elevados sem qualquer padrão diário normal.

O que Helmuth Haslacher, Alexander Pilger e Robert Winker, os três investigadores principais deste estudo, conseguiram mostrar é que níveis elevados de cortisol podem ser detetados através de uma amostra única de saliva, recolhida ao meio-dia ou à noite, capaz de medir o risco de burnout.

Um teste que funciona

“Verificou-se que as pessoas identificadas como tendo elevados níveis de stress associados ao trabalho tinham valores de cortisol notavelmente mais altos ao meio-dia e também à noite. Observamos também uma melhoria clínica e nos níveis de cortisol daqueles que receberam tratamento na clínica de stress criada para o efeito”, afirmam os especialistas.

“Isso significa que podemos usar estes marcadores para identificar preventivamente as pessoas que estão em maior risco de burnout.”

O que é preciso agora é que se realizem outros estudos para avaliar este resultado e desenvolver um sistema de testes bioquímicos válido para uso na prática clínica diária, para identificar candidatos de alto risco para o burnout.

“Os nossos dados atuais indicam que o risco de burnout pode ser identificado a partir de uma única amostra de saliva com quase 100% de precisão.”

Burnout: o que é e quais os sintomas

Definido pela Organização Internacional do Trabalho, o burnout “é um estado de exaustão física, emocional e mental, que resulta do envolvimento a longo prazo em situações de trabalho emocionalmente exigentes”. Ou seja, trata-se de uma resposta prolongada à exposição crónica a riscos psicossociais, emocionais e interpessoais no espaço do trabalho.%

Caracterizado por exaustão emocional, faz-se acompanhar por cinismo (atitudes negativas, desumanizadas e insensíveis em relação às pessoas em redor), despersonalização, falta de envolvimento no trabalho, baixo nível de realização pessoal e ineficiência.

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