Skip to main content Scroll Top

Excesso de medicação na asma pode ter consequências graves

asma

Respirar pode ser, para quem vive com asma, um verdadeiro problema. De ação involuntária passa a sacrifício que muitos procuram contrariar com recurso a medicação. Ao alívio imediato, o excesso de medicação junta outras consequências, que podem vir a ser muito graves. É para elas que se alerta neste Dia Mundial da Asma (5 de maio), que serve para reforçar a certeza de que a asma pode ser controlada.

“Na presença de sintomas, os doentes acabam por utilizar medicação de alívio, essencialmente broncodilatadores de curta ação e, nas exacerbações mais graves, recorrem a ciclos de corticoides orais”, confirma João Gaspar Marques, imunoalergologista do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental/Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central.

“A utilização excessiva de broncodilatadores de curta ação pode associar-se a alterações cardíacas e, no limite, a aumento da mortalidade. Os ciclos de corticoides orais, ainda que curtos, se frequentes, podem associar-se também a supressão adrenal, osteoporose, hipertensão arterial, obesidade e cataratas, entre outros.”

De acordo com o especialista, “quando um doente tem de recorrer demasiadas vezes à sua medicação de alívio é um sinal de que a asma não está controlada”.

É, por isso, necessário, acrescenta o médico, “perceber se a adesão à terapêutica inalada prescrita é adequada e se a técnica inalatória é a correta. Caso haja cumprimento destas, o passo seguinte é rever as opções terapêuticas, optando por um aumento do degrau terapêutico. Nos doentes com asma grave, há a necessidade de doses elevadas de corticoterapia inalada e de broncodilatadores, com os riscos associados a estas. Para estes doentes, temos atualmente opções inovadoras de anticorpos monoclonais que melhoram francamente o controlo da doença, minimizando também o seu risco futuro”.

Asma afeta mais de meio milhões de portugueses

A asma é, segundo João Gaspar Marques, “uma doença frequente”, o que os números comprovam: existem atualmente cerca de 695 mil portugueses a viver com asma e mais de 339 milhões de pessoas em todo o mundo com o diagnóstico.

“E pode afetar a qualidade de vida dos doentes, sobretudo dos que não têm a doença controlada. Existem vários aspetos que podem ficar afetados, nomeadamente a presença de sintomas, a limitação funcional no dia-a-dia, o domínio emocional e o evitar de determinados ambientes pelo receio de potencialmente desencadearem sintomas.”

Mas para o especialista, “o mais importante é não interpretar os sintomas e o impacto na qualidade de vida como algo normal e expectável. Hoje em dia, com as opções terapêuticas disponíveis, é possível alcançar o controlo da doença e ter um dia a dia normal. Os fármacos atualmente ao nosso alcance permitem um superior controlo da doença, com menores taxas de efeitos adversos”.

Considera, por isso, que não se deve “perder a esperança, a esperança de que o doente, em parceria com o médico assistente, conseguirão encontrar um plano terapêutico que se ajuste a cada doente e que permitirá um controlo global da sua doença”.

Por último, reforça que “não existem asmáticos. Existem pessoas com asma e que nunca devemos permitir que a doença suplante o ser humano”.

Posts relacionados