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Famílias suportam grande parte do encargo da demência nos países europeus

Uma pessoa com demência

Um novo estudo, publicado na revista Journal of Alzheimer’s Disease, revela que a demência impõe um custo social anual superior a 221 mil milhões de euros em 30 países europeus de rendimento elevado, com as famílias e os cuidadores informais a suportarem grande parte do encargo.

Os investigadores descobriram que 58% do total dos custos relacionados com a demência estão ligados aos cuidados não remunerados prestados por familiares, amigos e outros cuidadores informais, destacando o impacto substancial que tem além dos sistemas de saúde.

Notavelmente, se somarmos o valor de todas as horas que familiares e amigos passam a cuidar de alguém com demência, sem receber nada por isso, esse valor ultrapassa os 128 mil milhões de euros por ano, mais do que os 93 mil milhões gastos diretamente em cuidados de saúde (consultas, medicamentos, internamentos, etc.).

O estudo estimou que cerca de 8,8 milhões de pessoas viviam com demência em países europeus de alto rendimento em 2019, com custos associados à demência equivalentes a cerca de 1,6% do PIB regional, sublinhando o crescente impacto da doença nos sistemas de saúde, nas economias e nas famílias.

Peso que importa ter em conta

A demência é uma das principais causas de incapacidade, dependência e mortalidade entre os idosos na Europa e à medida que as populações continuam a envelhecer, os investigadores afirmam que tanto o número de pessoas que vivem com demência como o fardo económico associado à doença deverão aumentar substancialmente nas próximas décadas.

“À medida que a população da Europa continua a envelhecer, podemos esperar que o número de pessoas que vivem com a doença de Alzheimer e outras formas de demência aumente substancialmente nos próximos anos. Uma das conclusões mais impressionantes deste estudo foi a dimensão da demência”, afirma Richard Dodel, autor principal do estudo.

A investigação insere-se na iniciativa Custo da Doença em Neurologia na Europa (COIN-Eu), liderada pela Academia Europeia de Neurologia (EAN), que visa avaliar o impacto social e económico das principais doenças neurológicas na Europa. Para esta análise, os investigadores realizaram uma revisão sistemática de 45 estudos europeus sobre o custo da demência, publicados entre 2010 e 2023, combinada com estimativas de prevalência do estudo Carga Global de Doenças 2021.

O estudo constatou que o custo social médio anual por pessoa com demência era de aproximadamente 25.200€, embora se tenham verificado variações substanciais em toda a Europa. Alemanha, Itália, Reino Unido, França e Espanha, em conjunto, representaram cerca de 68% do encargo económico total estimado, refletindo tanto o tamanho da população como as necessidades de cuidados de demência.

É importante realçar que os autores observam que o fardo da demência vai além dos custos financeiros. Os cuidadores familiares enfrentam frequentemente desafios emocionais, físicos e de saúde associados às responsabilidades de cuidados a longo prazo.

“O impacto da demência vai muito para além do seu custo financeiro”, explica Dodel. “Os cuidadores familiares enfrentam frequentemente exigências emocionais, físicas e cognitivas consideráveis, especialmente à medida que a doença progride para fases mais avançadas, o que realça a necessidade de um maior reconhecimento e apoio para aqueles que prestam cuidados.”

As conclusões sublinham a necessidade de políticas que apoiem tanto as pessoas que vivem com demência como aqueles que cuidam delas, incluindo investimentos em infraestruturas de cuidados, serviços de apoio aos cuidadores, vias de diagnóstico precoce e estratégias de prevenção direcionadas para fatores de risco modificáveis.

Os investigadores afirmam ainda que as descobertas reforçam os apelos por abordagens mais padronizadas para medir os custos relacionados com a demência — particularmente a contribuição dos cuidados informais — para melhorar as comparações entre países e reforçar o planeamento e a formulação de políticas de saúde no futuro.

“Embora os novos tratamentos ofereçam esperança às pessoas em fases iniciais da doença de Alzheimer, ainda existe uma necessidade significativa de terapias que possam ajudar aqueles que se encontram em fases mais avançadas. Ao mesmo tempo, precisamos de investigação mais robusta em saúde pública e serviços de saúde para compreender melhor como apoiar as pessoas que vivem com doenças neurodegenerativas avançadas e as famílias que cuidam delas”, conclui Dodel.

Crédito imagem: Unsplash

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