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Academia norte-americana de pediatria pede o fim dos castigos físicos

castigos para crianças deviam ser proibidos

O apelo já tinha sido feito. Agora, é reforçado, em forma de recomendação. E de condenação. De acordo com a Academia Americana de Pediatria (AAP), os castigos corporais usados como ferramenta disciplinar deveriam ser proibidos, Isto porque não só aumentam a agressividade nas crianças, como são ineficazes no ensino da responsabilidade e do autocontrolo.

Em comunicado, aquela organização reforça que há novas evidências que sugerem que as palmadas podem causar danos à criança, afetando o desenvolvimento normal do cérebro. Por isso, aconselha outras formas de ensinar às crianças que não devem errar, mais seguros e eficazes.

A AAP condena, por isso, o castigo, numa declaração que vai ser publicada na edição de dezembro de 2018 da revista Pediatrics, e que aborda ainda os danos associados à punição verbal, como vergonha ou humilhação. A

“A boa notícia é que menos pais hoje apoiam o uso das sovas do que no passado”, explica Robert D. Sege, médico e ex-membro do Comité sobre Abuso e Negligência Infantil da AAP, um dos autores da declaração.

Agressão leva a… agressão

A punição corporal e o abuso verbal severo podem fazer com que a criança tenha medo a curto prazo, mas estas formas de castigo não melhoram o comportamento dos mais pequenos a longo prazo e podem causar comportamentos mais agressivos, refere a AAP.

E cita um estudo, que mostra que as crianças vítimas de castigos físicos, mais de duas vezes por mês, aos três anos, eram mais agressivas aos cinco. Com nove anos, essas mesmas crianças ainda exibiam comportamentos negativos.

A investigação revelou ainda que atacar uma criança, gritar ou envergonhá-la pode elevar as hormonas do stress e levar a mudanças na arquitetura do cérebro. Abuso verbal grave está também associado a problemas de saúde mental em pré-adolescentes e adolescentes.

Impor regras e mantê-las é o melhor caminho

“É melhor começar com a premissa de recompensar o comportamento positivo”, refere Benjamin S. Siegel, coautor da declaração. “Os pais podem estabelecer regras e expectativas com antecedência. A chave é ser consistente na sua imposição.”

A AAP recomenda que os pediatras usem a sua influência nas visitas ao consultório para ajudar os pais com estratégias adequadas à idade, para que estes possam lidar com a disciplina dos seus filhos, encaminhando as famílias para ajuda mais especializada.

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