O stress é conhecido por ser um dos responsáveis por vários problemas de saúde: pode levar à hipertensão, obesidade, ansiedade, depressão, entre outras. O seu impacto faz-se sentir nas pessoas individualmente e nas empresas, nos serviços de saúde e na economia. E provas disso não faltam: de acordo com a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, o stress laboral é o 2.º problema de saúde mais referido na Europa, estando na origem de 50 a 60% dos dias de trabalho perdidos. Reduzir este stress, acentuado pela pandemia, é essencial. Como? Com a natureza.

Segundo um estudo recente, publicado no ano passado no International Journal of Mental Health and Addiction, a Forest Therapy pode ser eficaz na redução dos sintomas de saúde mental a curto prazo, sobretudo o stress e a ansiedade.

De acordo com a referida investigação, uma revisão sistemática e meta-análise que avaliou o impacto desta terapia na saúde mental, recorrendo a 20 estudos realizados na Ásia e na Europa com mais de duas mil pessoas, a Forest Therapy é eficaz no combate à depressão, ansiedade e stress.

Mas há mais. Um segundo estudo, publicado também em 2020, mas na revista científica Urban Forestry and Urban Greening, confirma que esta prática aumenta a criatividade. O teste foi feito com os participantes de um workshop de Forest Therapy, de três dias de duração, e revelou que estes exibiram um aumento de 27% no desempenho criativo, um aumento ao nível das emoções positivas e uma diminuição das emoções negativas.

Banhos de natureza

Foi em 1980 que nasceu o shinrin-yoku, expressão japonesa que se traduz, literalmente, por “banho na floresta” e que surge para ajudar a combater o cansaço e o stress associados a uma vida acelerada, através de um convite a desacelerar e a fazer uma ligação a todos os sentidos, o que permite uma conexão com a natureza e com todo o nosso ser.

Desde então, deixou de ser um exclusivo da nação nipónica para se espalhar um pouco por todo o mundo, tornando-se um verdadeiro fenómeno de bem-estar mundial.

De tal forma, que são já os médicos a receitar este ‘medicamento’. Na Escócia, um projeto implementado em 2018, em Shetland, numa parceria entre o serviço nacional de saúde local e a Real Sociedade para a Proteção das Aves escocesa, permitia que os médicos de família “prescrevessem” a natureza como parte do tratamento dos seus doentes.

Um tema que, um ano depois, voltou a dar que falar, mas em Inglaterra, onde o Woodland Trust sugeriu a inclusão da Forest Therapy na lista de terapias e atividades recomendadas por médicos de clínica geral para aumentar o bem-estar dos seus pacientes.

Por cá, a Forest Therapy começa a dar os seus passos graças à Renature, a primeira empresa a trazer para o País os benefícios desta prática, que oferece a possibilidade de ajudar a restabelecer o equilíbrio do nosso sistema nervoso, promovendo saúde e bem-estar. Ao mesmo tempo, funciona como um escape para o stress do dia-a-dia, afirmando-se cada vez mais como uma ferramenta para gestores e equipas.

“São vários os estudos que confirmam o impacto da Forest Therapy na nossa saúde e bem-estar”, confirma Maria do Carmo Stilwell, guia certificada e Formadora de Guias de Forest Therapy e a fundadora da Renature, que trabalha em 14 florestas, bosques e parques naturais como o Parque Natural de Sintra-Cascais, Monsanto, Boomland, a Mata Nacional do Buçaco, o Parque Natural da Arrábida, o Parque Natural da Serra da Estrela, o Parque Natural Peneda-Gerês, a Serra do Caramulo, a Serra da Lousã ou o Parque Natural Montesinho.

“A ciência já demonstrou que o ambiente da floresta pode diminuir a pressão arterial, a frequência cardíaca, os níveis da hormona do stress, ansiedade, depressão, raiva, fadiga e confusão”, acrescenta.