Novos dados mostram que, na Europa, são cada vez mais as pessoas que tomam opioides por dores relacionadas com doenças reumáticas e musculoesqueléticas. É para este crescimento que alerta a Liga Europeia Contra o Reumatismo (EULAR), dando conta do crescente risco de abuso de opioides na Europa e pedindo medidas para que se usem estes analgésicos com mais segurança.

Os opioides são analgésicos fortes. De acordo com as diretrizes atuais, podem, entre outros, ser usadas para dores crónicas de osteoartrite (artrose) durante um curso de tratamento de quatro a doze semanas.

“Existe uma base científica adequada de eficácia e segurança para esta indicação”, refere Ulf Müller-Ladner, ex-presidente do Comité Permanente de Assuntos Clínicos e Diretor Médico da EULAR.

No entanto, eles devem parar de ser tomados, pois estes analgésicos têm fortes efeitos secundários: náuseas, vómitos, tonturas e fadiga. Mas o risco maior são os seus efeitos no sistema nervoso central, com impacto no humor.

“Isso explica o seu forte potencial de dependência: para a maioria dos doentes, a retirada física é, portanto, a mais difícil”, acrescenta Müller-Ladner, ex-presidente da Sociedade Alemã de Reumatologia.

Mulheres mais afetadas por vício de opioides

Mulheres (4% mais afetadas que os homens), idosos (10% mais que jovens) e indivíduos socialmente desfavorecidos (6% mais afetados em comparação com os grupos mais privilegiados da população) têm um risco particular de dependência de opioides, confirma um estudo feito na Catalunha.

Junqing Xie, da Universidade de Oxford, e principal autor do estudo, afirma: que a “toma de opioides, em particular de opioides fortes, aumentou substancialmente nos últimos anos em pessoas que sofrem de osteoartrite”.

Devem ser tomadas precauções, e com urgência, para que estes medicamentos sejam prescritos com segurança. Isso aplica-se sobretudo às mulheres mais velhas, que vivem em condições sociais difíceis.

Além disso, um estudo atual da Islândia revela que o uso frequente de opioides não é interrompido, mesmo depois de a fonte da dor ter desaparecido, mas em vez disso, o seu consumo realmente aumenta.

Ou seja, nas pessoas com doenças inflamatórias das articulações, a dose de opioides aumenta, em vez de diminuir, mesmo após o tratamento com agentes anti-inflamatórios precisos e eficazes.

“É uma questão de urgência”, refere o presidente da EULAR, professor Iain B. McInnes, de Glasgow, Escócia, onde o vício em opioides se tornou um problema significativo.

O risco de desenvolvimento de dependência física e psicológica é, no entanto, baixo quando os opioides são usados ​​como pretendido.

“Por isso, gostaríamos de aumentar a consciencialização sobre uma abordagem responsável, tanto pelos prescritores como também pelos doentes”, refere John Isaacs, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, que atualmente é o presidente do Comitê Científico da EULAR.

“Para aliviar a dor crónica, os medicamentos devem, de qualquer forma, fazer parte de um programa abrangente de terapêutica, no qual médicos, psicólogos e fisioterapeutas trabalham juntos.”