As vacinas contra o cancro foram desenvolvidas pela primeira vez há 100 anos, mas continuam pouco eficazes. Isto porque as mutações dos tumores são únicas, o que exige uma precisão extrema, difícil de alcançar. Depois, é ainda necessário um sistema seguro para permitir que a vacina chegue ao local certo e tenha uma resposta imunitária forte e específica. É para o mudar que trabalha um grupo de especialistas na Suíça.

Li Tang, investigador na Escola de Engenharia da EPFL, apresenta uma solução, tendo desenvolvido uma vacina protótipo capaz de ‘viajar’ automaticamente até ao local pretendido e ativar as células imunitárias.

A técnica, já patenteada, foi testada com sucesso em ratinhos e é o tema de um artigo publicado na revista ACS Central Science.

Como funcionam as vacinas

A maioria das vacinas, como aquela disponível contra o sarampo e tétano, é preventiva. Ou seja, são os indivíduos saudáveis que ​​são inoculados com partes enfraquecidas ou inativadas de um vírus, levando o seu sistema imunitário a produzir anticorpos, o que prepara o organismo para se defender contra futuras infeções.

O objetivo de uma vacina terapêutica contra o cancro é, no entanto, diferente. Não se trata de prevenir, mas ajudar o corpo a defender-se de uma doença que já está presente.

“Existem vários tipos de imunoterapias além das vacinas, mas alguns doentes não respondem bem. A vacina pode ser combinada com essas imunoterapias para obter a melhor resposta possível”, explica Li Tang.

Outra vantagem é que as vacinas devem ser capazes de reduzir o risco de recaída. É a forma como isto é feito que está em causa.

São várias as fases necessárias para que a vacina chegue onde deve. Primeiro, o doente é inoculado com a vacina por via subcutânea; a vacina viaja para os gânglios linfáticos, onde há muitas células imunitárias. Uma vez lá, a vacina deve penetrar nas células dendríticas, que funcionam como uma espécie de mecanismo de alerta. Se as conseguir estimular corretamente, as células dendríticas apresentam antígenos específicos para as células T, que combatem o cancro, levando estas células a atacar o tumor.

O procedimento parece simples, mas é extremamente difícil de pôr em prática. Por serem muito pequenos, os componentes de uma vacina tendem a dispersar-se ou ser absorvidos na corrente sanguínea antes de atingirem os nódulos linfáticos.

Para superar este obstáculo, Li Tang desenvolveu um novo sistema, que parece funcionar.

“Esta nova vacina deve permitir que o sistema imunitário dos doentes com cancro seja ativado de forma personalizada e segura”, afirma.

O trabalho promete continuar, com a equipa a trabalhar para aperfeiçoar a fase em que os antígenos específicos do tumor são detetados, um “estágio de identificação que é vital”, conclui Li Tang.