
Os casos de cancro do esófago triplicaram nos últimos 30 anos, sobretudo entre os mais jovens, concluiu um novo estudo realizado na Holanda. Os especialistas acreditam que este aumento reflete alterações nos fatores de risco relacionados com o estilo de vida, com aumento de hábitos não saudáveis, incluindo tabagismo, dieta mais pobre e redução do exercício físico.
Realizado com quase 60.000 doentes, o estudo descobriu que novos os casos de adenocarcinoma esofágico aumentaram de 0,34 para 0,92 por 100.000 habitantes entre 1989 e 2018, com um aumento médio de 1,5% nos homens e 3% nas mulheres. Mas as subidas mais dramáticas foram observados em pessoas com menos de 50 anos.
Ali Al-Kaabi, especialista do Radboud University Medical Center, em Nijmegen, na Holanda, e principal autor do estudo, explica que “a incidência de adenocarcinoma esofágico está a aumentar nos adultos jovens”. Segundo o investigador, “o refluxo gastroesofágico (refluxo ácido), obesidade e tabagismo são fatores de risco importantes para o adenocarcinoma esofágico e sabemos também sabemos que as taxas destes fatores de risco aumentaram em adultos jovens nos últimos 30 anos”.
O cancro do esófago é o sétimo tipo de cancro mais comum em todo o mundo e é uma doença altamente fatal, sendo responsável por 500.000 mortes todos os anos. Existem dois subtipos principais: o adenocarcinoma esofágico (que está relacionado com a obesidade e o refluxo gastroesofágico) e o carcinoma de células escamosas esofágico (que está relacionado com o consumo de álcool e tabaco).
Embora as pessoas com menos de 50 anos fossem mais propensas a ter diagnóstico num estágio incurável, em comparação com aqueles com 50 a 74 e mais de 74 anos (47%, 40% e 29%, respetivamente), os doentes mais jovens tinham uma maior probabilidade de se submeterem a tratamentos multimodais, o que faz com que aumente a sua sobrevida face aos mais velhos.
“Estas diferenças podem refletir o facto de que os doentes mais jovens têm maior probabilidade de serem tratados de forma mais agressiva com vários tratamentos, incluindo quimioterapia, radioterapia seguida de cirurgia, o que ajuda a proporcionar a cura ou a prolongar a vida do paciente”, acrescenta.
Existem muitos sintomas para o cancro do esófago, mas muitas vezes podem ser difíceis de detetar e confundidos com outros sintomas gastrointestinais, como dificuldade a engolir, vontade de vomitar, azia e indigestão.
“Com base nos resultados deste estudo, é importante que os adultos com menos de 50 anos estejam conscientes destes sintomas de cancro do esófago para permitir um diagnóstico precoce e uma maior probabilidade de sobrevivência”, acrescenta Ali Al-Kaabi. “Isso é particularmente importante em grupos de alto risco, incluindo aqueles que fumam, aqueles com obesidade ou com níveis altos de consumo de álcool.”