Tem sido uma questão recorrente, geradora de confusão e mal-entendidos, com muitos a afirmar que o novo coronavírus é o mesmo que a gripe. Não, não é. A Organização Mundial da Saúde (OMS) explica as diferenças entre COVID-19 e gripe, com a informação disponível até ao momento.

É um facto que tanto o COVID-19 como o vírus da gripe causam doenças respiratórias, mas existem diferenças importantes entre os dois, que se estende à forma como se disseminam, o que tem implicações importantes para as medidas de saúde pública que podem ser implementadas para responder a cada um.

As semelhanças começam com os problemas respiratórios, que ambos causam, apresentando ainda, tanto um como o outro, intensidades que podem ir desde o assintomático ou ligeiro até doenças graves e morte.

Avança a OMS que são também ambos transmitidos por contacto, gotículas e fómites (objeto ou material onde se aloja e que permitir a sua transmissão). É por isso que, medidas como a higiene das mãos e boa etiqueta respiratória (tossir para o cotovelo ou lenço, descartado de imediato) são ações importantes que todos podem – e devem – adotar para prevenir a infeção.

Mais diferenças entre COVID-19 e a gripe

Mas as semelhanças ficam-se por aqui. A velocidade de transmissão, como já percebemos, é um importante fator de diferença entre os dois vírus: a gripe tem um período médio de incubação, ou seja, aquele que vai da infeção ao surgimento dos sintomas, mais curto e um tempo entre casos sucessivos também mais curto que o COVID-19.

No que diz respeito ao número de infeções secundárias geradas a partir de um indivíduo infetado, este é compreendido entre 2 e 2,5 para o vírus COVID-19, superior ao da influenza.

As crianças são importantes veículos de transmissão do vírus influenza na comunidade. No caso do COVID-19, os dados iniciais indicam que as crianças são menos afetadas que os adultos e que as taxas de infeção na faixa etária de 0 a 19 anos são baixas. Dados preliminares adicionais de estudos de transmissão domiciliar na China sugerem que as crianças são infetadas pelos adultos, em vez do oposto.

Os sintomas

Embora a variedade de sintomas para os dois vírus seja semelhante, a fração com doença grave parece ser diferente. Para o COVID-19, os dados até o momento sugerem que 80% das infeções são leves ou assintomáticas, 15% são infeções graves, que requerem oxigénio e 5% são críticas, ou seja, requerem ventilação. Valores superiores ao verificado no caso da gripe.

Há também a questão dos grupos de risco que, na gripe, são as crianças, mulheres grávidas, idosos, pessoas com doenças crónicas subjacentes e imunodeprimidas. Para o COVID-19, o entendimento atual é que a idade avançada e as condições subjacentes aumentam o risco de infeção grave.

Há ainda a questão da mortalidade, que parece ser mais alta no caso do COVID-19. E, reforça a OMS, “embora a verdadeira mortalidade do COVID-19 leve algum tempo para entender completamente, os dados que temos até agora indicam que a taxa de mortalidade bruta (o número de mortes relatadas dividido pelos casos relatados) está entre 3-4%, a taxa de mortalidade por infeção (o número de mortes relatadas dividido pelo número de infeções) será menor. Para a gripe sazonal, a mortalidade geralmente está bem abaixo de 0,1%”.

Embora existam atualmente várias terapêuticas em ensaios clínicos na China e mais de 20 vacinas em desenvolvimento para o COVID-19, não há vacinas ou terapêutica ainda aprovada, ao contrário do que acontece com a gripe.