Um milhão de dólares é quanto uma investigadora portuguesa e a sua equipa acabam de receber do Departamento de Defesa dos EUA para descobrirem mais sobre a Doença Inflamatória Intestinal (DII).

Salomé Pinho, cientista do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto e líder do grupo Immunology, Cancer & GlycoMedicine daquela instituição, vão avaliar os dados de um grupo de militares norte-americanos, em busca de marcadores capazes de prever a doença ou identificar as suas causas. 

É, garante a especialista, “um estudo pioneiro, que caracteriza uma população única a nível mundial (antes e após o diagnóstico da DII), que permitirá identificar biomarcadores que possibilitarão um diagnóstico precoce da doença e, desta forma, a implementação de estratégias preventivas primárias (prevenindo o aparecimento da doença em indivíduos saudáveis) ou secundárias (que visam atrasar o inicio e progressão clínica da doença em indivíduos de risco)”.

Doença inflamatória intestinal afeta 20 mil portugueses

Ao longo de três anos, a equipa nacional promete trabalhar as amostras biológicas de militares dos EUA, com o apoio de investigadores do centro de investigação médica da Marinha Norte Americana e de especialistas na área da DII do Hospital Mont Sinai, em Nova Iorque, ainda que quase 90% do projeto seja desenvolvido por cá.

“Vai-nos permitir investir em equipamento de ponta e em recursos humanos diferenciados”, refere Salomé Pinho, cujo grupo tem realizado estudos pioneiros na área da DII, tendo realizado estudos que permitiram a identificação de marcadores de prognóstico, assim como a identificação de novas ferramentas terapêuticas para quem sofre com estes problemas.

A Doença Inflamatória Intestinal afeta cerca de 2,5 milhões de pessoas na Europa, 15 mil a 20 mil das quais em Portugal. Trata-se de uma doença crónica, que afeta sobretudo indivíduos jovens em idade ativa, sem causa conhecida ou forma de prevenção.