Os espaços verdes podem ter um papel importante na proteção contra o desenvolvimento de asma e doenças alérgicas na infância. A conclusão é de um estudo realizado por investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e publicado na revista científica Allergy.

Desde o nascimento que as crianças que vivem em zonas mais próximas a áreas e espaços verdes apresentam menos rinite alérgica e asma aos 7 anos de idade, confirma o estudo, que conclui ainda que a também exposição, desde idades precoces, a um elevado número de espécies animais não exerce o mesmo efeito protetor.

Vários estudos já publicados têm apresentado resultados contraditórios quanto à influência dos espaços verdes no desenvolvimento de doenças alérgicas e asma. Enquanto uns revelam o efeito protetor do ‘verde’, outros referem-no como um fator de risco.

Foi para acabar de uma vez com as dúvidas que os investigadores do ISPUP procuraram avaliar o efeito da exposição precoce a áreas verdes no desenvolvimento de doenças alérgicas e asma nas crianças, usando uma amostra de 1050 crianças do Município do Porto, pertencentes ao estudo longitudinal Geração XXI.

Foi analisado o ambiente à volta das habitações das crianças, considerando os espaços verdes existentes e a sua proximidade às casas dos participantes do estudo.

Além disso, teve-se em consideração o índice de riqueza de espécies (o número de diferentes espécies animais presente num determinado espaço) nas áreas verdes, para se perceber se o contacto com uma maior riqueza de espécies poderia ter também um efeito protetor contra o desenvolvimento das doenças referidas.

Os benefícios dos espaços verdes

Através da aplicação de questionários aos participantes, os investigadores perceberam se, aos 4 e aos 7 anos de idade, as crianças já tinham historial de doenças alérgicas e asma, tendo concluído que as crianças que, desde o nascimento, estiveram mais próximas de espaços verdes apresentaram menos doenças alérgicas, nomeadamente, rinite alérgica e asma.

Mas ao contrário do esperado, uma maior proximidade a riqueza de espécies não se revelou protetor, tendo sido mesmo considerado um fator de risco. Observou-se que as crianças que tiveram um contacto mais próximo com um elevado número de espécies apresentaram uma maior sensibilização alérgica e, entre aquelas que já tinham asma e pieira, um agravamento destas patologias.

Umas das possíveis explicações para este resultado pode ter a ver com a libertação de moléculas (alergéneos) por parte das espécies animais, que provocam, por sua vez, reações alérgicas no organismo humano, podendo exacerbar sintomas de alergia e asma que já tenham sido diagnosticados.

No entanto, serão necessários mais estudos sobre este tópico.