
A osteoartrite do joelho é uma causa comum de dor e rigidez articular. E embora se saiba que a atividade física alivia os sintomas, apenas uma em cada 10 pessoas pratica regularmente exercício físico. Compreender o que contribui para a inatividade dos doentes é o objetivo de um estudo inédito da Universidade da Austrália do Sul, em que os investigadores descobriram que as pessoas com osteoartrite do joelho acreditam inconscientemente que a atividade pode ser perigosa, apesar de os conselhos médicos dizerem o contrário.
O estudo revelou que, entre os inquiridos, 69% das pessoas com dores no joelho tinham crenças implícitas (inconscientes) mais fortes de que o exercício era perigoso do que a média das pessoas sem dores.
É uma descoberta que não só realça a natureza conflituosa da dor e do exercício, mas também que o que as pessoas dizem e o que pensam, no fundo, podem ser coisas completamente diferentes.
O investigador principal, Brian Pulling, afirma que a investigação fornece informações valiosas para os médicos que tratam pessoas com osteoartrite do joelho. “A investigação mostra que a atividade física é benéfica para as pessoas com osteoartrite do joelho, mas a maioria com esta doença não se movimenta o suficiente para apoiar a saúde geral ou das articulações”, afirma.
“Para compreender por que razão estas pessoas com osteoartrite do joelho podem não ser ativas, os estudos de investigação utilizam normalmente questionários para avaliar o medo de se deslocar. Mas infelizmente, os questionários são limitados – o que sentimos no fundo (e a forma como o nosso sistema reage naturalmente a algo que é ameaçador) pode ser diferente do que relatamos. E continuamos a saber que muitas pessoas evitam fazer exercício, por isso queríamos saber porquê.”
Para o avaliar, os investigadores desenvolveram uma ferramenta capaz de detetar e avaliar as crenças implícitas das pessoas sobre o exercício, ou seja, se inconscientemente pensam que a atividade é perigosa para a sua condição.
“Descobrimos que, mesmo entre aqueles que disseram não ter medo do exercício, tinham crenças inconscientes de que o movimento era perigoso”, diz Pulling. “A nossa investigação mostra que as pessoas têm crenças complicadas sobre o exercício e que, por vezes, dizem uma coisa quando lhes é perguntado diretamente, mas têm uma crença implícita completamente diferente”, acrescenta.
“Esta investigação sugere que, para compreender plenamente o que alguém sente em relação a uma atividade, temos de ir além da pergunta direta, porque as suas crenças implícitas podem, por vezes, ser um melhor indicador do comportamento real do que aquilo que as pessoas relatam. É aí que a nossa ferramenta é útil.”
O teste de associação implícita online apresenta uma série de palavras e imagens que o participante deve rapidamente associar à segurança ou ao perigo. Uma ferramenta que promove intencionalmente respostas instantâneas para evitar a deliberação e outros fatores de influência (como responder como se pensa que se deve responder).
Tasha Stanton, professora associada, afirma que a nova ferramenta, aqui usada entre as pessoas que vivem com osteoartrite do joelho tem o potencial de identificar um grupo de pessoas que pode ter dificuldades em aumentar os seus níveis de atividade e em fazer exercício.
“O que as pessoas dizem e o que fazem são frequentemente duas coisas diferentes”, afirma. “Ter acesso a informações mais precisas e perspicazes ajudará os profissionais de saúde a apoiar melhor os seus doentes na prática de atividade e exercício. Pode também abrir oportunidades para a educação científica sobre a dor, terapia baseada na exposição ou terapia cognitiva funcional… coisas que normalmente não seriam consideradas para alguém que dissesse que não tinha medo de fazer exercício.”