Em cinco anos, contaram-se cerca de 90 mil episódios de cancro da pele nos hospitais públicos portugueses, 16 mil dos quais melanomas e 72 mil não melanomas. Os dados fazem parte de um estudo de investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, publicado na revista Cancer Epidemiology, que deixa o alerta: é preciso maior aposta na prevenção do cancro da pele em Portugal.

A avaliação feita aos casos de internamentos e consultas em ambulatório com diagnóstico de cancro de pele nas instituições do Serviço Nacional de Saúde permite fazer um desenho dos doentes afetados. Por exemplo, que aqueles com melanoma apresentam uma idade mediana mais baixa (66 anos) e mais metástases (14%), sendo o tronco a zona do corpo mais afetada (32%).

Para os diagnosticados com cancro da pele não melanoma, a idade é mais avançada (76 anos) e a mortalidade associada mais baixa, embora seja maior o tempo de internamento (nove dias em média, contra 7,3). Quanto aos custos, são também mais elevados: 2.563 euros contra 2.417 euros por cada hospitalização.

Cancro da pele não melanoma com mais dias de internamento

Contas feitas às hospitalizações, o grupo de investigadores verificou que o melanoma foi responsável por mais de 35 mil dias de internamento, com o cancro da pele não melanoma a totalizar mais de 73 mil dias.

Por ano, o melanoma custa qualquer coisa como 3,8 milhões de euros, aos quais se juntam 16,2 milhões com os doentes que têm não melanoma, que custa cerca de quatro vezes mais.

Citada pelo CINTESIS, Ana Filipa Duarte, primeira autora do estudo, considera que “estes números estão provavelmente subestimados, uma vez que não são contabilizados os episódios ocorridos em instituições de saúde privadas”.

“Sabe-se que, com listas de espera que ultrapassam um ano no Serviço Nacional de Saúde, os doentes com recursos financeiros ou com seguro de saúde procuram cada vez mais o setor privado. A isto acresce que a maioria dos cancros não melanoma não são tumores de risco e podem ser tratados eficazmente fora do setor público”, acrescenta.

Aposta na prevenção é essencial

Tendo em conta o envelhecimento da população e os comportamentos de risco conhecidos, os casos de cancro da pele tendem a aumentar, o mesmo acontecendo com os custos.

É, por isso mesmo, essencial “apostar em estratégias de prevenção primária do cancro da pele e numa deteção precoce dos casos de cancro”, no sentido de reduzir a mortalidade e os custos que a doença acarreta.

Campanhas que não devem “subestimar a importância do cancro da pele não melanoma”, quer em termos do seu impacto no sistema de saúde, quer dos seus custos, muito superiores em média aos do melanoma, quer da qualidade de vida dos doentes.