Num estudo publicado no American Journal of Lifestyle Medicine, uma especialista da Universidade de Stanford, nos EUA, juntamente com outros colegas, examinou os resultados de um inquérito sobre sono e nutrição feito junto de 245 médicos. E descobriu que uma alimentação saudável está associada a menos efeitos secundários resultantes da privação de sono.

Maryam Hamidi estuda nutrição. E um dos trabalhos feitos recentemente exigia que ficasse acordada entre as 8h00 e as 17h00 do dia seguinte, durante vários dias consecutivos. 

E a um determinando momento, Hamidi, que tem um doutoramento em epidemiologia nutricional e é nutricionista, começou a notar algo estranho nos seus próprios desejos alimentares. “Por volta das 18 ou 19 horas, eu comecei a desejar batatas fritas”, conta. “Comecei a pensar nos sacos de batatas fritas no meu escritório. E não ansiava por batatas fritas desde os meus anos de faculdade. Um dia comi um. Depois bebi um refrigerante. E peguei num segundo saco e, depois, num terceiro. Eu estava a divertir-me. Lembro-me de pensar: ‘Isto é ótimo. Eu devia fazer isto mais frequentemente.'”

Como especialista em nutrição, percebeu que era um excelente exemplo de quão difícil pode ser comer de forma saudável quando se está exausto. E não importa o bem que se conhece a importância de uma alimentação saudável.

“Eu nunca comi três sacos de batatas fritas seguidos. Mas também nunca estive tão privada de sono”, refere.

Médicos conhecem bem a privação de sono

Enquanto investigadora do WellMD Center, da Universidade de Stanford, Hamidi está interessada nesta complicada relação entre sono e comportamentos alimentares. Uma privação de sono que é bem conhecida dos médicos, que frequentemente trabalham longas horas e enfrentam ciclos de turnos interrompidos.

Muitos foram os que analisaram as diferentes formas de melhorar o sono através da redução do horário de trabalho ou da reorganização dos horários, mas poucos foram os que olharam para a forma como a alimentação de um médico pode ajudar.

Foi o que decidiu fazer, consciente de que os médicos enfrentam barreiras significativas para se alimentarem bem no trabalho devido às longas horas, a uma carga de trabalho pesada e acesso limitado a refeições saudáveis, lanches e bebidas.

Os resultados deste estudo sugerem que, ao oferecer opções saudáveis ​​no trabalho, os empregadores podem ajudar a reduzir a dificuldade de concentração e a irritabilidade causada pelo sono entre os prestadores de serviços de saúde. E, como resultado, ajude a melhorar o atendimento ao doente.

“Ninguém realmente pensa em como a dieta de um médico afeta o atendimento ao doente”, diz Hamidi.

Fisiologia “empurra” para escolhas menos saudáveis

Mas há motivos para ‘atacar’ o que faz menos bem quando se está sob efeito da privação de sono. Primeiro, os doces fornecem uma solução rápida, aumentando temporariamente os níveis de açúcar no sangue.

Além disso, um mau sono tende a diminuir a função cerebral executiva, prejudicando a capacidade de tomada de decisão e a força de vontade.

A investigação também mostra que as alterações causadas pela falta de sono nas hormonas reguladoras do apetite e no funcionamento do cérebro podem levar ao desejo de aumentar os níveis de energia com alimentos e lanches ricos em açúcar, sódio e gorduras.

“Dadas todas estas coisas, a fisiologia empurra os médicos a procurarem alimentos não saudáveis”, explica Hamidi. “A natureza da profissão torna mais difícil comer bem.”