O que é mais importante: a frequência com que se pratica exercício ou a intensidade?

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Já todos sabemos que a prática de exercício físico é um dos ingredientes essenciais para uma vida saudável. Mas o que é melhor: praticar um pouco de exercício todos os dias ou fazê-lo durante mais tempo uma vez por semana? Este é um dilema partilhado por muitos e um novo estudo da Edith Cowan University (ECU), na Austrália, procura dar resposta à pergunta.

Um trabalho que indica que um pouco de atividade diária pode ser a abordagem mais benéfica, pelo menos para a força muscular, sugerindo ainda que não é necessário trabalhar muito todos os dias.

Em colaboração com a Universidade Niigata e a Universidade Nishi Kyushu, no Japão, o estudo teve por base um treino de quatro semanas com três grupos de participantes que fizeram exercício de resistência de braço, tendo depois sido medida a força e a espessura muscular.

E os resultados mostram, segundo explica Ken Nosaka, professor de Ciências do Desporto e Exercício da ECU, que quantidades que se podem gerir de exercício feito regularmente podem ter um efeito real na força das pessoas.

“As pessoas pensam que precisam fazer uma longa sessão de treino de resistência no ginásio, mas esse não é o caso”, afirma. “Levantar um haltere pesado lentamente uma ou seis vezes por dia é suficiente.”

Ainda de acordo com a mesma fonte, embora o estudo exija que os participantes se esforcem ao máximo, as primeiras descobertas indicam que resultados semelhantes podem ser alcançados sem a pessoa ter necessidade de se esforçar ao máximo.

“A força muscular é importante para a nossa saúde. Isso pode ajudar a evitar uma diminuição na massa e força muscular com o envelhecimento. A diminuição da massa muscular é a causa de muitas doenças crónicas, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, alguns tipos de cancro, demência, além de problemas musculoesqueléticos, como osteoporose.”

No exercício, a frequência é melhor

Ainda não se sabe exatamente porque é que o corpo responde melhor a menos intensidade e maior frequência, mas o professor Nosaka acredita que pode estar relacionado com a frequência com que o cérebro é solicitado a fazer um músculo funcionar de uma forma específica.

No entanto, enfatiza que também é importante incluir o descanso num regime de exercício. “As adaptações musculares ocorrem quando estamos descansando; se alguém fosse capaz de treinar 24 horas por dia, na verdade não haveria nenhuma melhoria.

“Os músculos precisam de descanso para melhorar a sua força e a sua massa, mas parecem gostar de ser estimulados com mais frequência.”

O especialista destaca também que se alguém não conseguiu exercitar-se durante um período, não há grande valor em tentar ‘compensar’ com uma sessão mais longa depois. “Se alguém estiver doente e não puder exercitar-se durante uma semana, tudo bem, mas é melhor voltar à rotina regular de exercício quando estiver a sentir-se melhor”.

Para os adultos, as diretrizes da Organização Mundial da Saúde indicam que estes devem realizar pelo menos 150 a 300 minutos de atividade física aeróbia de intensidade moderada, ou pelo menos 75 a 150 minutos de atividade física aeróbia de intensidade vigorosa, ou uma combinação equivalente de atividade física de intensidade moderada e vigorosa,
ao longo da semana, para benefícios substanciais para a saúde.

Mas Nosaka considera que é preciso existir uma maior ênfase na importância de tornar a prática de exercício uma atividade diária, em vez de atingir uma meta semanal de minutos. “Se a pessoa vai ao ginásio apenas uma vez por semana, não é tão eficaz como fazer um pouco de exercício todos os dias em casa.”

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