O uso de tabaco continua a ser o fator que mais contribui para o fardo global de doenças, causando cerca de 12% das mortes em todo o mundo nas pessoas com 30 ou mais anos. Dados que levaram quatro organizações cardiovasculares – a Associação Americana de Cardiologia, o Colégio Americano de Cardiologia, a Sociedade Europeia de Cardiologia e Federação Mundial do Coração – a divulgaram uma opinião conjunta que pede mais ações, a uma escala global, para acabar com a epidemia de tabaco de uma vez por todas.

As organizações estão a pedir aos governos que tomem medidas imediatas para implementar a estrutura MPOWER da Organização Mundial da Saúde, que descreve seis abordagens políticas essenciais comprovadas para reduzir o uso do tabaco: monitorar o uso do tabaco e as políticas de prevenção; proteger as pessoas do fumo do tabaco; oferecer ajuda para parar de fumar; avisar sobre os perigos associados ao tabaco; aplicar proibições à publicidade, promoção e patrocínio do tabaco e aumentar os impostos sobre o tabaco.

O parecer conjunto descreve estratégias abrangentes de prevenção do tabagismo, que são necessárias para implementar totalmente a estrutura MPOWER, incluindo uma redução das concentrações de nicotina em todos os produtos de tabaco combustíveis, mais investigação para entender os impactos da nicotina na saúde no sistema cardiovascular e os efeitos de longo prazo dos cigarros eletrónicos, assim como a aplicação de sistemas sólidos e avaliações pré-comercialização de todos os produtos de tabaco.

Pede-se ainda uma regulamentação forte do marketing da indústria do tabaco para garantir que falsas alegações de saúde não são feitas sobre produtos que não foram exaustivamente investigados ​​e autorizados, campanhas de contra-marketing, direcionadas aos jovens, para reduzir efetivamente o uso do tabaco nesta população.

Os riscos associados ao tabaco

Apesar das reduções globais no uso do tabaco, a crescente popularidade dos cigarros eletrónicos e outros produtos mais recentes que atraem os jovens com aromas ameaça o progresso em direção ao fim do uso do tabaco e do vício da nicotina. Os países devem regular efetivamente os cigarros eletrónicos e outros produtos emergentes para proteger os jovens e melhorar a saúde pública em todo o mundo, defendem as associações.

A opinião conjunta está a ser publicada nas principais revistas das quatro organizações: o Journal of the American College of Cardiology, o Journal da American Heart Association, o European Heart Journal e o Global Heart.

Stephan Achenbach, presidente da Sociedade Europeia de Cardiologia, considera que esta é “uma mensagem forte e global, que pede campanhas de saúde pública e legislação para combater o tabaco e, em particular, para impedir o fumo. Há evidências crescentes sobre os efeitos adversos dos cigarros eletrónicos. São necessárias novas medidas para interromper as campanhas de marketing destes produtos e do tabaco aromatizado, sobretudo aquelas direcionadas para os jovens”.

“A nicotina pode causar sérios riscos à saúde do sistema cardiovascular em todas as fases da vida”, alerta Athena Poppas, ex-presidente do Colégio Americano de Cardiologia. “A nicotina pode aumentar a pressão sanguínea de uma pessoa, a frequência cardíaca e o fluxo sanguíneo para o coração, estreitar as artérias e endurecer as paredes arteriais, o que por sua vez pode levar a um ataque cardíaco”, acrescenta.

“A nicotina também afeta o desenvolvimento do cérebro e representa perigos para jovens, mulheres grávidas e o feto em desenvolvimento. É preciso uma maior compreensão dos impactos da nicotina na saúde cardiovascular e dos produtos de libertação de nicotina em crianças e jovens.”

“O tabagismo é a maior causa de morte evitável no mundo hoje”, reforça Fausto Pinto, presidente da Federação Mundial do Coração.