Um novo estudo, realizado por investigadores da Universidade Binghamton, nos EUA, promete ajudar a remover as camadas de pele não saudável, pelo menos metaforicamente falando, e chegar mais perto de uma cura para o eczema.

No mundo, 2 a 5% dos adultos e cerca de 15% das crianças sofrem de sintomas de eczema ou dermatite atópica, como pele seca, inflamada e muito pruriginosa, com feridas abertas.

Embora existam inúmeros tratamentos, as causas exatas do problema continuam por conhecer.

Num novo estudo, Guy German e Zachary W. Lipsky, especialistas daquela instituição, relacionaram dois aspetos da investigação sobre eczema que raramente são estudados juntos.

Um dos resultados do eczema é uma diminuição do nível de óleos da pele, conhecidos como lipídeos, sobretudo um grupo destes, as ceramidas, que regulam a hidratação e também ajudam a defender a pele dos invasores, indireta e diretamente.

Outro dos seus resultado é o aumento de bactérias estafilocócicas na pele, o que pode causar irritação e infeção.

De acordo com Guy German, a genética pode ter um papel na definição de quem sofre de eczema, mas pessoas que realizam determinadas tarefas revelaram também uma maior probabilidade de ter esta doença de pele, como profissionais de saúde, metalúrgicos, cabeleireiros e trabalhadores na área do processamento de alimentos.

Porquê? A resposta parece ser simples e está associada a uma maior quantidade de lavagem das mãos ou contacto regular com detergentes para a realização do seu trabalho.

“O que acontece se, devido a uma mutação ou aos riscos ocupacionais, houver uma presença reduzida de lipídeos na pele?”, questiona o especialista.

Bactérias e eczema

Este estudo parte do pressuposto que, “em condições normais e saudáveis, as bactérias não penetram na barreira da pele. Com eczema ou níveis lipídicos consistentes com este, isso é uma realidade”, explica Guy German.

Como as bactérias estafilocócicas são imóveis, elas precisam de se multiplicar para crescer através da camada protetora externa da pele, conhecida como estrato córneo. Os investigadores acreditam que as bactérias não crescem à volta das células da pele, mas na verdade através delas.

Com a depleção [redução] lipídica, resultado da genética ou de riscos ocupacionais, a pele parece que se torna mais vulnerável à invasão bacteriana e infeção do tecido subjacente.

“Quando pensamos nos óleos da pele, pensamos em retenção de água e hidratação”, refere Lipsky. “Agora, estamos a analisar a forma como esses lipídeos são importantes para a proteção contra os microorganismos que podem entrar e causar doenças.”

Embora este estudo não tenha revelado todos os segredos associados ao eczema, mostrar que as bactérias podem ser a causa e não o resultado da doença é um passo em frente, sendo necessários mais estudos.

“Agora que sabemos que as bactérias podem penetrar na pele com depleção de lipídeos, queremos saber como isso afeta a pele mecanicamente”, afirma Lipsky. “Isso torna a pele mais fraca e mais propensa a ter rachas? Podemos descobrir como as bactérias se estão a mover através de diferentes camadas da pele?”

Questões a que prometem dar resposta.